Podemos agendar uma entrevista? -

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Podemos agendar uma entrevista?

Escrevo este artigo porque outro dia um amigo me procurou pedindo orientações sobre como se comportar numa entrevista de emprego. Ele participaria de um processo seletivo em nível gerencial. Como tinha muito interesse na vaga queria estar bem preparado.

A primeira coisa que eu disse foi: "Seja você mesmo". Uma entrevista de emprego é o momento de você se mostrar ao seu interlocutor, falar sobre si mesmo, seus gostos, preferências e realizações. Não adianta interpretar um papel que não corresponde a sua realidade. Se você tentar parecer alguém que você não é, ficará evidente e não valerá a pena, afinal, um processo de seleção não é unilateral: tanto a empresa quanto o candidato decidem se querem ou não assumir um compromisso juntos.

Assim como os bons selecionadores se preparam antes de realizar uma entrevista quando buscam conhecer o contexto empresarial do contratante (informações sobre a empresa, a cultura organizacional, o estilo de liderança, o perfil do cargo, as características comportamentais desejadas, a experiência ou conhecimento esperado), o candidato também deve se preparar para a oportunidade que lhe é apresentada.
Algumas dicas simples podem auxiliar para um melhor desempenho do candidato na hora de se mostrar ao seu entrevistador. Não esqueça, antes de qualquer coisa, de ser você mesmo.

1. Procure o máximo de informações disponíveis sobre a empresa que oferece a vaga. Isto inclui visita obrigatória e detalhada no site, busca de referências com profissionais que a conhecem (sejam eles funcionários, ex-funcionários, fornecedores ou clientes, com os quais você possa ter algum acesso). Pesquise o mercado que a empresa atua, os produtos e serviços que ela oferece, seus principais concorrentes e principais clientes. Estas informações serão cruciais para você possa falar algo relevante sobre a contratante e também o ajudarão a formular perguntas interessantes e pertinentes.

2. Procure compreender o perfil do cargo. Normalmente a divulgação de uma vaga traz detalhes sobre o profissional desejado com as principais informações de conhecimento, experiência e características da posição. Avalie então qual sua aderência a oportunidade e quais seus pontos de adaptação.

3. Esteja preparado para falar sobre sua trajetória profissional. Isto pode parecer básico, afinal você conhece sua história melhor que ninguém. Mas pense comigo: se eu pedisse que me contatasse agora seu primeiro encontro amoroso certamente teria algo a me dizer, porém, se eu o informasse que faria esta pergunta amanhã, você poderia repassar toda a sua memória e certamente falaria com uma riqueza de detalhes muito maior. Prepare uma apresentação a si mesmo de sua trajetória profissional. Simule perguntas e respostas - este exercício o deixará mais fluente em seu discurso.

4. Sua formação acadêmica e complementar pode dizer muito sobre você. Pense em respostas como: porque optou por determinado curso? Como escolheu sua extensão? E seu MBA? O que faz para se atualizar? O que tem lido ultimamente? O que pretende conhecer/aprender nos próximos meses? Num mundo globalizado e com alta velocidade de mudança é preciso aprender sempre, já que as informações perecem rapidamente. A vivência, a maturidade e a prática agregam conhecimento, aprendizagem e competências que podem ser utilizadas por toda a vida. Deixar isto explícito mostrará sua capacidade de resolução de problemas, sua atitude frente às oportunidades e adversidades.

5. Tenha em mente o que você quer de uma nova oportunidade de trabalho e também o que você não quer. Às vezes não estamos em momento de escolher, mas admitir isto sem perder o foco da oportunidade pode contar muitos pontos a seu favor. Já entrevistei vários candidatos para uma vaga e acabei contratando para outras posições, justamente por entender que não havia aderência dos desejos do candidato com a oportunidade e, principalmente, pela clareza do alvo que ele queria atingir. Num mercado de trabalho cada dia mais aquecido, oportunidades de trabalho não faltam. Mas é importante se questionar o quanto vale a pena entrar num relacionamento com uma organização já pensando em sair na primeira oportunidade.

6. Admita seus erros. Qualquer profissional do mundo erra. Todo ser humano tem defeitos. O importante é também identificar onde você errou, quais lições aprendidas e quais seus defeitos ou suas oportunidades de melhoria. Há clichês bem comuns do tipo "sou muito perfeccionista. Quando ouço isso, penso "OK, e onde isto lhe atrapalha?". Se é considerado um defeito, preciso saber onde isso atrapalha. Outros candidatos que me dizem: "meu defeito é trabalhar demais". Da mesma forma, penso o porquê de trabalhar demais ser um defeito, onde isto atrapalha, quais as conseqüências. Se você não conseguir identificar as oportunidades de melhoria pode ficar a impressão que você não consegue ou tem dificuldade em reconhecê-las. Não queira ser um semi-deus, seu entrevistador é de carne e osso como você e muitas vezes o que você julga ser um defeito pode ser uma vantagem competitiva para o perfil desejado. Lembre-se de que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.

7. Você deve também saber demonstrar suas competências através de exemplos vividos. Falar sobre como você lidera, como planeja, sua preferências comportamentais, sua flexibilidade. Sua vida pessoal também interessa, sim, afinal se for contratado passará em média um terço dela em sua nova empresa. É impressionante como alguns candidatos se sentem desconfortáveis com perguntas deste tipo. Aprenda a falar sobre si mesmo, sua família, seus amigos, seus passatempos, sua história.

8. Por fim algumas dicas básicas, mas que, acreditem, ainda são sumariamente negligenciadas.
- Vista-se adequadamente para o cargo que pleiteia (isto inclui cuidados com cabelos, unhas e perfumes).
- Cumpra o horário agendado rigorosamente. É desagradável chegar numa entrevista "suado e esbaforido".
- Apresente um currículo minimamente estruturado com objetivos, formação acadêmica, idiomas, histórico profissional com dados das empresas (datas, cargos e responsabilidades). Basta uma pesquisa no Google e encontrará centenas de modelos de currículos.
- Não turbine seu currículo, apresente o que é e pode ser comprovado. Saiba que os contratantes checam informações e referências. Uma mentira pode pôr tudo por água a baixo, pois esta diretamente ligada a sua honestidade. Você mesmo não contrataria alguém desonesto contrataria?
- Falar mal de ex-empregadores não pega bem da mesma forma que falar mal de alguém ausente também é deselegante. Isto não significa que você não possa pontuar os aspectos positivos e negativos de sua experiência profissional naquela empresa. Inclusive assumindo sua contribuição positiva e negativa para o quadro apresentado.

9. Tente controlar sua ansiedade. Selecionadores profissionais sempre abrem espaço para que você complemente alguma informação que não foi abordada na entrevista. Este é o momento de você evidenciar seu diferencial, informando algum conhecimento específico que você sabe que será útil a empresa contratante. Questões salariais, de benefícios e bônus nem sempre são esclarecidas na primeira entrevista. Procure perguntar quais os próximos passos do processo seletivo e avalie se há espaço para estes questionamentos no momento ou se devem ser feitos numa segunda etapa. Obviamente para evitar desperdício de tempo futuro, você pode deixar claro sua pretensão salarial, mas procure apresentar uma range de valor, mostrando flexibilidade.

Enfim, se você pensar um pouco sobre estas dicas, repassar mentalmente seu histórico, seus gols, suas faltas, refletir sinceramente sobre suas competências estabelecidas e a desenvolver, seus pontos fortes, suas oportunidades de melhoria, sua trajetória profissional, o que quer e o que não quer, certamente estará mais preparado e principalmente mais confortável para enfrentar uma entrevista de emprego. Se você fizer o seu melhor na sua preparação para uma entrevista para uma oportunidade e ainda assim não der certo, relaxe, no mínimo você terá melhorado seu autoconhecimento e treinando para uma próxima vez.

E, não menos importante: não conseguir a vaga não desqualifica você de maneira nenhuma. Apenas, segundo a visão do contratante, houve outro candidato com perfil mais aderente às expectativas dele, nem por isto melhor ou pior que você. Até porque, por mais objetividade que se busque, um processo de seleção tem alto grau de subjetividade, de empatia, de química entre contratado e contratante. Estar ciente disto ELEVA sua autoestima e mantém você mais forte para a próxima empreitada.

* Paulo Sergio de Souza é sócio da Keeptalent, especializada em Executive Search e Diretor de Marketing da ABRH-Santa Catarina

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